{"id":54046,"date":"2025-06-24T09:59:54","date_gmt":"2025-06-24T12:59:54","guid":{"rendered":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/2025\/06\/24\/a-gastronomia-junina-como-alma-do-sao-joao-nordestino\/"},"modified":"2025-06-24T09:59:54","modified_gmt":"2025-06-24T12:59:54","slug":"a-gastronomia-junina-como-alma-do-sao-joao-nordestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/2025\/06\/24\/a-gastronomia-junina-como-alma-do-sao-joao-nordestino\/","title":{"rendered":"a gastronomia junina como alma do S\u00e3o Jo\u00e3o nordestino"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>O m\u00eas de junho no Nordeste \u00e9 uma sinfonia de cores, sons e, sobretudo, sabores. Em Jo\u00e3o Pessoa, as ruas se enchem de bandeirolas, o cheiro de milho assado invade os bairros e as cozinhas fervilham com receitas que s\u00e3o verdadeiras heran\u00e7as de fam\u00edlia. A gastronomia junina vai muito al\u00e9m do milho \u2014 embora ele seja o rei da festa \u2014, abrangendo doces como cocada, arroz doce, bolo p\u00e9-de-moleque e ma\u00e7\u00e3 do amor, al\u00e9m de salgados como a tapioca, macaxeira cozida, o rubac\u00e3o e o cuscuz com carne de sol. Cada prato conta uma hist\u00f3ria, seja nos tabuleiros das feiras, nas barracas das festas, nas casas de comidas t\u00edpicas ou nas mesas das fam\u00edlias que mant\u00eam viva a tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Essas iguarias n\u00e3o apenas alimentam, mas tamb\u00e9m preservam mem\u00f3rias afetivas. Quem nunca se lembrou da av\u00f3 mexendo a canjica no fog\u00e3o a lenha ou do tio assando milho na fogueira? O arroz doce, polvilhado com canela, e a cocada, branca ou dourada, s\u00e3o doces que atravessam gera\u00e7\u00f5es, assim como o p\u00e9-de-moleque, crocante e cheio de personalidade. J\u00e1 a tapioca, vers\u00e1til e presente o ano todo, ganha destaque no S\u00e3o Jo\u00e3o, seja no cl\u00e1ssico recheio de coco ou em combina\u00e7\u00f5es criativas com queijo coalho ou carne de charque.<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00e3o apenas os sabores que encantam, mas tamb\u00e9m os rituais em torno deles. Preparar uma pamonha exige t\u00e9cnica e paci\u00eancia \u2014 desde a escolha do milho at\u00e9 o ponto exato da massa. A cocada precisa do a\u00e7\u00facar no ponto certo para n\u00e3o queimar, e o bolo de macaxeira que fica ainda mais perfeito quando assado no forno a lenha. Esses detalhes fazem da culin\u00e1ria junina uma verdadeira arte, passada de m\u00e3e para filha, de mestre para aprendiz.<\/p>\n<p>O clima festivo se traduz, assim, em mesas repletas de canjica, pamonha, mungunz\u00e1, bolo de milho e outras iguarias que v\u00e3o al\u00e9m do sabor: s\u00e3o s\u00edmbolos de uma cultura que resiste e se renova. A gastronomia junina, com o milho como protagonista, \u00e9 heran\u00e7a de tradi\u00e7\u00f5es familiares, religiosidade e celebra\u00e7\u00e3o da colheita \u2014 e movimenta desde agricultores at\u00e9 feirantes, unindo gera\u00e7\u00f5es em torno do afeto e do sustento.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p><strong>Do plantio \u00e0 mesa: o ciclo do milho \u2013 <\/strong>Para que as espigas cheguem \u00e0s barracas e panelas em junho, o trabalho come\u00e7a meses antes. Em fevereiro, agricultores da Zona Sul de Jo\u00e3o Pessoa, como os assistidos pelo programa \u2018Eu Posso Semear\u2019 da Prefeitura, iniciam o plantio. Em 2025, cerca de 20 toneladas de milho foram colhidas na regi\u00e3o, abastecendo feiras e mercados. \u201cPlantamos com anteced\u00eancia para a espiga amadurecer no tempo certo. Mesmo com menos produ\u00e7\u00e3o este ano, teremos fartura para as comidas t\u00edpicas\u201d, explica Adriano Vasconcelos, diretor de Agricultura Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Trabalho (Sedest).<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Joselito Severino, agricultor de Ponta de Gramame, comprou sementes para colher 400 \u2018m\u00e3os\u2019 de milho (cada uma com 52 espigas). \u201cVendemos direto ao consumidor, sem atravessadores, gra\u00e7as ao apoio da Prefeitura, que nos leva \u00e0s feiras. Tudo \u00e9 org\u00e2nico\u201d, orgulha-se Doda, nome pelo qual \u00e9 conhecido na regi\u00e3o. Nas feiras promovidas pela PMJP e nos mercados p\u00fablicos da Capital, a m\u00e3o de milho foi comercializada, em 2025, a partir de R$ 40 \u2014 valor que reflete a alta demanda.<\/p>\n<p><strong>O fervor dos mercados e a arte das quituteiras \u2013 <\/strong>No Mercado Central, o movimento \u00e9 intenso. Seu Jo\u00e3o Sin\u00e9sio, vendedor h\u00e1 30 anos, trabalha at\u00e9 de madrugada. \u201cTeve dia que sai daqui \u00e0s tr\u00eas horas da manh\u00e3. Todo mundo quer milho: para assar, para vender, para fazer doces\u201d, frisou. O pre\u00e7o, segundo ele, segue a lei da oferta: \u201cA m\u00e3o era R$ 50, agora est\u00e1 R$ 60\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Maria da Luz, do bairro Costa e Silva, aproveita a demanda para vender pamonha e canjica. \u201cFa\u00e7o s\u00f3 com coco e a\u00e7\u00facar, al\u00e9m do milho. \u00c0s vezes, nem sobra para a fam\u00edlia\u201d, brinca. J\u00e1 Maria Jos\u00e9, da Feira de Economia Solid\u00e1ria, destaca o rubac\u00e3o \u2014 prato conhecido tamb\u00e9m como bai\u00e3o de dois, como carro-chefe, mas as encomendas de doces triplicam em junho. \u201cAumenta 30%. \u00c9 cultura que alimenta e gera renda\u201d, conta.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>A Feira, promovida pela Prefeitura no CAM e no Parque Parahyba I, re\u00fane mais de 50 grupos de artes\u00e3os e produtores de comidas t\u00edpicas. \u201cOrganizamos a log\u00edstica para que todo lucro seja deles\u201d, explica Karla Vieira, coordenadora. Para Sandra Alves, feirante h\u00e1 dois anos, o per\u00edodo \u00e9 crucial. \u201cCanjica \u00e9 o mais pedido. Nossa gastronomia \u00e9 identidade, deveria ser valorizada o ano todo\u201d, lembra.<\/p>\n<p><strong>Sabores que unem passado e presente \u2013 <\/strong>Para al\u00e9m do econ\u00f4mico, a comida junina \u00e9 mem\u00f3ria latente. Aldilene Martins, do Valentina, afirma que tem clientes fi\u00e9is h\u00e1 cinco anos. \u201cQuando enfeitamos a mesa, o pessoal j\u00e1 entra no clima. \u00c9 cultura que contagia\u201d. Regina Dantas, cliente ass\u00eddua do Mercado Central, resume: \u201cPesquiso o melhor pre\u00e7o, mas no fim, \u00e9 o milho da inf\u00e2ncia que a gente quer\u201d, relatou.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>E assim, entre colheitas, panelas no fogo e feiras movimentadas, o S\u00e3o Jo\u00e3o pessoense se faz \u2014 n\u00e3o s\u00f3 nos arraiais, mas no cotidiano de quem mant\u00e9m viva a tradi\u00e7\u00e3o. Como diz Doda, agricultor familiar: \u201c\u00c9 do ro\u00e7ado direto para o cora\u00e7\u00e3o do povo\u201d. E o cora\u00e7\u00e3o do Nordeste, sabe bem, bate mais forte em junho.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00eas de junho no Nordeste \u00e9 uma sinfonia de cores, sons e, sobretudo, sabores. 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