{"id":76457,"date":"2026-03-29T13:52:00","date_gmt":"2026-03-29T16:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/2026\/03\/29\/criancas-de-comunidade-quilombola-andam-na-escuridao-para-ir-a-escola\/"},"modified":"2026-03-29T13:52:00","modified_gmt":"2026-03-29T16:52:00","slug":"criancas-de-comunidade-quilombola-andam-na-escuridao-para-ir-a-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/2026\/03\/29\/criancas-de-comunidade-quilombola-andam-na-escuridao-para-ir-a-escola\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as de comunidade quilombola andam na escurid\u00e3o para ir \u00e0 escola"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"304.69071661238\">\n<p>\u00c0s 4h30 da manh\u00e3, quando o som do C\u00f3rrego da In\u00eas fica mais n\u00edtido a 50 metros de casa, o menino Aleandro, de 6 anos, acorda animado para ir \u00e0 escola. Separa o uniforme e se junta aos dois irm\u00e3os mais velhos (Alecssandro, de 7, e Tawane, de 15). Juntos e de forma ligeira, eles percorrem,\u00a0por 50 minutos, uma subida de quase dois quil\u00f4metros (km),\u00a0no meio da escurid\u00e3o, em uma estrada estreita, com ch\u00e3o de terra, pedregulhos e cascalhos pelo meio do Cerrado.\u00a0<\/p>\n<p><strong>As crian\u00e7as da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, na \u00e1rea rural de Santo Ant\u00f4nio do Descoberto (GO), precisam se apressar para n\u00e3o perder a passagem de uma kombi, \u00e0s 6h10. <\/strong>O ve\u00edculo transporta pelo menos 12 crian\u00e7as das redondezas at\u00e9 as escolas municipais no centro da cidade, a cerca de 15 km dali. A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi pior.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\" wp_automatic_readability=\"3.3173076923077\">\n<h6 class=\"meta\">Seu Joaquim \u00e9 a pessoa mais velha da comunidade quilombola Antinha de Baixo \u2013 <strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=457852--><\/h6>\n<\/div>\n<p>Os pais dos meninos, os agricultores Roberto Braga, de 42 anos, e Mayara Soares, de 35, orgulham-se do in\u00edcio do caminho dos filhos pela estrada e pela vida. Eles lembram que desistiram de estudar porque n\u00e3o havia qualquer apoio para chegar \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>O av\u00f4, Joaquim Moreira, vive com eles. O idoso mora na mesma casa em que nasceu h\u00e1 87 anos e \u00e9 a pessoa mais velha da comunidade. Ao acompanhar as crian\u00e7as acordando para ir \u00e0 escola, ele diz ter esperan\u00e7a de que os mais novos n\u00e3o passem pelas mesmas dificuldades do passado.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right\" wp_automatic_readability=\"3.6420863309353\">\n<h6 class=\"meta\">Roberto Braga \u00e9 morador do Quilombo Antinha de Baixo, no Santo Ant\u00f4nio do Descoberto, em Goi\u00e1s \u2013 <strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=457855--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Ra\u00edzes<\/h2>\n<p>Foi Seu Joaquim, como \u00e9 conhecido no lugar, que recebeu no ano passado, em Bras\u00edlia (DF), o certificado de autorreconhecimento de comunidade remanescente de quilombo. No local, vivem atualmente cerca de 400 fam\u00edlias.\u00a0<\/p>\n<p>&gt;&gt; Leia mais sobre as amea\u00e7as \u00e0 comunidade<\/p>\n<p>O documento garantiu esperan\u00e7a para a comunidade, depois de uma batalha judicial em que fazendeiros e grileiros reclamavam a posse do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Pelo menos tr\u00eas casas de quilombolas foram, inclusive, demolidas ap\u00f3s decis\u00e3o contr\u00e1ria. Uma decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) paralisou o despejo. Al\u00e9m disso, eles diziam que eram constantemente amea\u00e7ados por homens armados.\u00a0<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, <strong>profissionais do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra), incluindo antrop\u00f3logos, trabalharam no local para a elabora\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio T\u00e9cnico de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o (RTID) de Antinha de Baixo. <\/strong><\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o explicou que <strong>o levantamento inclui estudos t\u00e9cnicos e cient\u00edficos de caracteriza\u00e7\u00e3o do local para obter informa\u00e7\u00f5es de caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas, hist\u00f3ricas e etnogr\u00e1ficas do lugar.<\/strong><\/p>\n<p>A conquista dos moradores foi celebrada porque deixa mais pr\u00f3xima a possibilidade de demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. De toda forma, a certifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 impulsiona a comunidade a buscar pol\u00edticas p\u00fablicas que contemplem as necessidades dessas pessoas. Entre as demandas, est\u00e3o as das fam\u00edlias das crian\u00e7as mais novas que precisam madrugar para ir \u00e0 escola.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAinda \u00e9 muito complicado para eles irem estudar\u201d, diz a m\u00e3e, Mayara. O pai espera que a estrada tenha alguma ilumina\u00e7\u00e3o. \u201cHoje \u00e9 muito escuro\u201d, lamenta.\u00a0<\/p>\n<h2>Esperan\u00e7a<\/h2>\n<p>Para os irm\u00e3os Aleandro e Alecssandro, a escola, al\u00e9m de ser local para conhecer as letras, serve para fazer novos amigos. Por isso, acreditam que vale a pena caminhar pelo meio da estrada, durante a madrugada.<\/p>\n<p>Aleandro exibe o caderno com s\u00edlabas copiadas do quadro. A fam\u00edlia tem esperan\u00e7a de que os meninos aprendam a ler ainda neste ano.\u00a0<\/p>\n<p>As aulas v\u00e3o at\u00e9 \u00e0s 11h, mas eles s\u00f3 conseguem voltar pra casa depois das 13h30. Ningu\u00e9m da comunidade pode estudar no turno da tarde porque n\u00e3o h\u00e1 condu\u00e7\u00e3o que os leve \u00e0 cidade. Nos dias de chuva mais forte, que n\u00e3o \u00e9 raro, o transporte fica praticamente invi\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n<h2>Roupa molhada<\/h2>\n<p>A irm\u00e3 mais velha, Tawane, de 15, est\u00e1 na s\u00e9tima s\u00e9rie. Ela teve dificuldades pelo caminho. Literalmente. H\u00e1 tr\u00eas anos, para ir \u00e0 escola, precisava atravessar um c\u00f3rrego para chegar ao transporte que a levaria ao centro da cidade. Com isso, chegava com as roupas molhadas ao col\u00e9gio.\u00a0A m\u00e3e reclamou na prefeitura, que disponibilizou um ve\u00edculo a mais para chegar a outra parte da comunidade.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o queriam vir buscar desse lado de c\u00e1. E a gente tinha que atravessar. Quando chovia \u00e0 noite, era imposs\u00edvel ir para escola\u201d, diz Mayara. Hoje a filha gosta de estudar portugu\u00eas e ci\u00eancias, e sonha um dia fazer faculdade (de veterin\u00e1ria). Seria a primeira da fam\u00edlia a chegar ao ensino superior.\u00a0<\/p>\n<p>Do outro lado do rio, D\u00e9bora, de 6 anos, est\u00e1 conhecendo as primeiras s\u00edlabas e tamb\u00e9m madruga para ir \u00e0 escola. Al\u00e9m de juntar as letras, a menina, que acorda pouco antes das 5h, acorda de verdade na hora de brincar de pega-pega com as amigas, no recreio.\u00a0<\/p>\n<p>No caderno, al\u00e9m das letras, ela tamb\u00e9m gosta de desenhos. Principalmente flores, tais como as que ela v\u00ea perto de casa. \u201cMeu caderno \u00e9 todo cheio de folhas\u201d. Miguel, primo de Debora, tamb\u00e9m tem 6 anos. Ele gosta dos momentos em que joga bola e se diverte com os amigos na escola.<\/p>\n<p>Tr\u00eas ve\u00edculos transportam pelo menos 40 alunos da comunidade para as escolas.\u00a0As crian\u00e7as, por\u00e9m, ficam cansadas com as longas dist\u00e2ncias que precisam percorrer diariamente.<\/p>\n<h2>Lutas familiares\u00a0<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Willianderson \u00e9 o presidente da associa\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias da comunidade quilombola Antinha de Baixo \u2013 <strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=457856--><\/h6>\n<\/div>\n<p>O irm\u00e3o da pequena D\u00e9bora \u00e9 o presidente da associa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias da comunidade, Willianderson Moreira, de 27 anos. <strong>A associa\u00e7\u00e3o ganhou registro oficial nesta semana e est\u00e3o inscritas 120 pessoas <\/strong>que pretendem lutar para melhorar as condi\u00e7\u00f5es do lugar para onde os ancestrais escravizados fugiram e resistiram.\u00a0<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"9\">\n<p>\u201cQuando o Incra fizer a desapropria\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, vai ser emitido um t\u00edtulo particular para a associa\u00e7\u00e3o administrar a \u00e1rea. Ent\u00e3o s\u00e3o os associados que v\u00e3o tomar conta de todo o territ\u00f3rio\u201d, explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>A expectativa da associa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ocorram em 2027.<\/strong><\/p>\n<p>Moreira ressalta que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de prioridades para eles, como creche, escola, posto de sa\u00fade, ilumina\u00e7\u00e3o, estrada de qualidade, transporte, incentivo \u00e0 agricultura familiar e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Sobre as vias de acesso, a comunidade j\u00e1 protocolou of\u00edcio na prefeitura. Ele conta com apoio da professora Railda Oliveira, que \u00e9 ativista e l\u00edder comunit\u00e1ria em Santo Ant\u00f4nio do Descoberto, para encaminhar as demandas da comunidade.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Foi Railda que reuniu os documentos e explicou para eles que seria poss\u00edvel proteger o modo de vida dos quilombolas caso houvesse certifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"8\">\n<p>\u201cEssa comunidade passou por uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil e estiveram bem perto de serem retirados daqui. Hoje, j\u00e1 come\u00e7aram a respirar\u201d, afirma Railda.\u00a0\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A reportagem da <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> buscou informa\u00e7\u00f5es com a prefeitura de Santo Ant\u00f4nio do Descoberto e com o governo de Goi\u00e1s sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas para a comunidade e, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, n\u00e3o obteve retorno. O espa\u00e7o est\u00e1 aberto para manifesta\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Mayara, o marido Roberto e os filhos Aleandro, Alecssandro e Tawane \u2013 <strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=457847--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Sem posto ou hospital<\/h2>\n<p>As fam\u00edlias de Antinha de Baixo dizem que, a cada febre de crian\u00e7as e idosos, todos ficam muito assustados. Como n\u00e3o h\u00e1 transporte p\u00fablico, o socorro funciona na base da solidariedade das poucas fam\u00edlias que disp\u00f5em de um carro.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 tivemos que sair de madrugada procurando ajuda pelos meus filhos e pelo meu pai\u201d, diz Roberto Braga. Os agentes de sa\u00fade n\u00e3o chegam \u00e0s casas de l\u00e1. O hospital mais pr\u00f3ximo fica a 20 quil\u00f4metros da comunidade.<\/p>\n<p>\u201cQuem n\u00e3o tem carro e n\u00e3o consegue ajuda fica s\u00f3 rezando mesmo\u201d, lamenta Willianderson Moreira.<\/p>\n<p>Quem trabalha na ro\u00e7a precisa de apoio tamb\u00e9m para trabalhar, mesmo sendo ainda um espa\u00e7o preservado. O C\u00f3rrego da In\u00eas j\u00e1 foi um rio na inf\u00e2ncia de Mayara e de Roberto.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"7\">\n<p>\u201cO rio secou. Meu pai at\u00e9 tirava areia para vender e a areia tamb\u00e9m acabou. Hoje o dia \u00e9 muito mais seco do que antes\u201d, diz Mayara.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O marido, Roberto, embora n\u00e3o tenha conseguido estudar, lembra que a mata que cercava sua casa trazia muito mais sabores do que antes.<\/p>\n<p>\u201cHoje est\u00e1 t\u00e3o seco que n\u00e3o tem mais fruta-de-ema, bacupari, gabiroba\u2026 O que ainda ficou \u00e9 o caju do cerrado. Meus filhos t\u00eam menos op\u00e7\u00e3o do que eu tive em rela\u00e7\u00e3o a isso\u201d.<\/p>\n<p>O problema pode n\u00e3o ter sido apenas relacionado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<strong> A comunidade reclama que grileiros e fazendeiros que se instalaram na regi\u00e3o utilizaram agrot\u00f3xicos, o que prejudicou a mata nativa.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo assim, as crian\u00e7as n\u00e3o se imaginam longe da liberdade de morar em uma \u00e1rea rural. Debora adora a planta\u00e7\u00e3o de milho t\u00e3o perto de casa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito bom morar aqui. Tem v\u00e1rias coisas pra fazer. Tem como debulhar o milho e, quando est\u00e1 no ponto, d\u00e1 pra fazer pamonha\u201d, sorri a menina.<\/p>\n<p>A m\u00e3e da menina e do presidente da associa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, Rejane Moreira, de 41 anos, tamb\u00e9m nascida e criada na mesma casa, diz que n\u00e3o teve oportunidade de estudar depois que uma escola rural deixou de oferecer vagas. \u201cEstudei at\u00e9 a quarta s\u00e9rie\u201d.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Crian\u00e7as da comunidade em frente \u00e0 planta\u00e7\u00e3o de milho \u2013 <strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=457843--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Provas<\/h2>\n<p>Outra moradora que luta para concluir os estudos \u00e9 a vendedora aut\u00f4noma Ana Clity Vieira, de 57 anos. Ela est\u00e1 fazendo curso promovido pelo programa de Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA), no centro de Santo Ant\u00f4nio do Descoberto.\u00a0<\/p>\n<p>Quando a reportagem da <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> chegou \u00e0 casa dela, ela chorava sozinha por n\u00e3o ter conseguido nenhum dia fazer provas para avan\u00e7ar da s\u00e9tima s\u00e9rie. N\u00e3o conseguiu carro para ir ao centro. Quando vai estudar, pede para dormir na casa de algum colega de sala porque n\u00e3o h\u00e1 como voltar.<\/p>\n<p>No ano passado, quando fazendeiros conseguiram a desapropria\u00e7\u00e3o de quilombolas, a\u00a0casa de Ana s\u00f3 n\u00e3o foi demolida porque seguran\u00e7as fizeram do local o ponto de apoio: \u201cEu fui a primeira pessoa expulsa\u201d.<\/p>\n<p>Ela precisou se refugiar em uma casa no centro da cidade pagando aluguel e se endividando. Depois da decis\u00e3o do STF, ela voltou para casa e hoje vende produtos que planta para sobreviver.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"8\">\n<p>\u201cAqui eu posso criar minhas galinhas, plantar minhas coisinhas, como o a\u00e7afr\u00e3o e fazer azeite de mamona para vender\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ana comercializa produtos da terra para abastecer dois sonhos: o primeiro \u00e9 montar uma loja; o segundo \u00e9 escrever um livro sobre a vida dela. Para contar as hist\u00f3rias sobre o desejo de ler e aprender, e sobre as dores da vida.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<h6 class=\"meta\">Ana Clity Vieira pretende terminar os estudos sem deixar a comunidade de Antinha de Baixo \u2013 <strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=457849--><\/h6>\n<\/div>\n<p>Entre as l\u00e1grimas que molham o caderno, h\u00e1 tamb\u00e9m aquelas de quando perdeu uma irm\u00e3 atropelada. Com a indeniza\u00e7\u00e3o pelo acidente, conseguiu construir a casa na comunidade. Dor tamb\u00e9m da inf\u00e2ncia, principalmente da fome depois que o pai abandonou a m\u00e3e e cinco filhos. O livro ainda n\u00e3o foi escrito, mas j\u00e1 tem t\u00edtulo: <em>Resist\u00eancia<\/em>. O outro t\u00edtulo que ela espera \u00e9 o da terra.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right\">\n<h6 class=\"meta\">J\u00e9ssica e o pequeno Henrique, o mais novo integrante do Quilombo Antinha de Baixo, com 8 meses \u2013 <strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=457851--><\/h6>\n<\/div>\n<p>Perto dali, a dona de casa J\u00e9ssica Gon\u00e7alves, de 35 anos, \u00e9 m\u00e3e do mais novo da comunidade: Henrique, de oito meses. Como hoje n\u00e3o tem creche pr\u00f3xima, J\u00e9ssica n\u00e3o consegue ter outra atividade que n\u00e3o seja a de cuidar do menino.\u00a0<\/p>\n<p>Ela espera que o garoto cres\u00e7a livre, em um territ\u00f3rio demarcado, em seguran\u00e7a. \u201cQue ele tenha acesso a tudo o que a gente n\u00e3o teve\u201d, diz a m\u00e3e. Mas ela entende que \u00e9 fundamental que Henrique aprenda a hist\u00f3ria deles. Sobre todas as lutas que enfrentaram em busca de dias melhores para a comunidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s 4h30 da manh\u00e3, quando o som do C\u00f3rrego da In\u00eas fica mais n\u00edtido a 50 metros de casa, o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-76457","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76457\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}