{"id":93883,"date":"2026-09-29T08:22:21","date_gmt":"2026-09-29T11:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/2026\/09\/29\/luzes-camera-educacao-alunos-da-rede-municipal-de-ensino-descobrem-o-poder-de-contar-historias-no-cinema\/"},"modified":"2026-09-29T08:22:21","modified_gmt":"2026-09-29T11:22:21","slug":"luzes-camera-educacao-alunos-da-rede-municipal-de-ensino-descobrem-o-poder-de-contar-historias-no-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/euvivoaselecao.com.br\/index.php\/2026\/09\/29\/luzes-camera-educacao-alunos-da-rede-municipal-de-ensino-descobrem-o-poder-de-contar-historias-no-cinema\/","title":{"rendered":"Luzes, c\u00e2mera, EducA\u00e7\u00e3o: alunos da Rede Municipal de Ensino descobrem o poder de contar hist\u00f3rias no cinema"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div id=\"texto\">\n<p>Cinco da manh\u00e3. O dia mal come\u00e7a e Murilo do Nascimento Sales, de 11 anos, j\u00e1 pula da cama. Estudante da Rede Municipal de Ensino de Jo\u00e3o Pessoa, o garoto tem h\u00e1bitos comuns aos dos colegas da mesma idade que estudam pela manh\u00e3. Acorda cedo, toma banho, escova os dentes, arruma a mochila e segue para a escola. Mas, h\u00e1 duas semanas, a rotina de Murilo foi quebrada por um resultado que agora o impede de passar despercebido.<\/p>\n<p>O estudante ganhou o pr\u00eamio de melhor ator do Curta 5 \u2013 Festival Estudantil de Curtas, realizado em Vit\u00f3ria da Conquista, na Bahia. A conquista o fez descobrir que n\u00e3o nasceu apenas para assistir \u00e0s hist\u00f3rias dos outros. Ele passou a entender que tamb\u00e9m pode interpretar essas hist\u00f3rias nas telas dos cinemas.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong> Curta-metragem produzido por escola municipal de Jo\u00e3o Pessoa conquista 1\u00ba lugar em festival na Bahia<\/p>\n<p>Murilo \u00e9 o ator principal do curta-metragem Irm\u00e3o Negro, produzido na pr\u00f3pria escola. O menino interpretou o personagem Badu, uma crian\u00e7a negra alvo de preconceitos dos colegas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>A m\u00e3e Mayara \u00e9 s\u00f3 orgulho do filho premiado. \u201cEu vi um talento que o meu filho tem que eu ainda n\u00e3o tinha descoberto. Pretendo elevar ele a esse rumo. Inclusive eu j\u00e1 encontrei uma escola para atores, que agora no come\u00e7o do ano eu irei inscrev\u00ea-lo para dar continuidade\u201d, contou.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o e arte<\/strong> \u2013 A conquista de Murilo revela um mundo onde a educa\u00e7\u00e3o e a arte precisam caminhar juntas. E \u00e9 isso que a Prefeitura de Jo\u00e3o Pessoa est\u00e1 fazendo. Ao abra\u00e7ar o cinema, por exemplo, a escola Presidente Jo\u00e3o Pessoa ganhou novas janelas, onde entram hist\u00f3rias, sonhos, descobertas e outros modos de enxergar o mundo. Com essa uni\u00e3o, pode acontecer uma mudan\u00e7a silenciosa, mas profunda: os alunos descobriram que t\u00eam uma voz e que aquilo que elas pensam, sentem e imaginam tamb\u00e9m pode ocupar uma tela.<\/p>\n<p>Fazer cinema exige ouvir, dividir tarefas, cooperar e confiar no outro. Os conte\u00fados escolares passam a dialogar com hist\u00f3rias, imagens e experi\u00eancias concretas. A escola passa a ensinar n\u00e3o apenas conte\u00fados, mas tamb\u00e9m possibilidades. E o cinema passa a ser mais do que entretenimento: torna-se linguagem, experi\u00eancia, pertencimento e descoberta.<\/p>\n<p>Tudo isso se resume nas falas dos atores do curta-metragem.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p><strong>Quando a escola acende a tela<\/strong> \u2013 Antes de existir um filme, existia um livro. Antes da c\u00e2mera, havia uma professora contando uma hist\u00f3ria. E antes do trof\u00e9u, dos aplausos e dos pr\u00eamios, havia alunos de uma escola p\u00fablica descobrindo, aos poucos, que tamb\u00e9m poderiam ocupar o lugar de quem cria.<\/p>\n<p>Na Escola Municipal Presidente Jo\u00e3o Pessoa, o cinema nasceu de um projeto de leitura. Ao longo dos anos, a professora Ana Cristina Andr\u00e9 Miranda transformou os livros da biblioteca em ponto de partida para experi\u00eancias que ultrapassavam as p\u00e1ginas. Foi assim que Irm\u00e3o Negro, obra de Walcyr Carrasco, deixou de ser apenas uma hist\u00f3ria lida em sala de aula e ganhou voz, corpo, cen\u00e1rio e, finalmente, uma c\u00e2mera.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Primeiro veio a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias. Depois, os ensaios. At\u00e9 que surgiu uma ideia que parecia, nas palavras da pr\u00f3pria professora, uma brincadeira. N\u00e3o era. Era cinema.<\/p>\n<p>Cristina lembra que foram meses de prepara\u00e7\u00e3o. Ensaios, d\u00favidas, organiza\u00e7\u00e3o e a sensa\u00e7\u00e3o, em alguns momentos, de que n\u00e3o seria poss\u00edvel. At\u00e9 que os alunos chegaram ao s\u00e1bado de grava\u00e7\u00e3o e assumiram seus pap\u00e9is como um verdadeiro elenco.<\/p>\n<p>O resultado foi al\u00e9m do que a professora imaginava.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>\u201cPor tr\u00e1s daquele trof\u00e9u existe um esfor\u00e7o, onde cada aluno \u00e9 protagonista de sua pr\u00f3pria vida. Eu fico emocionada porque s\u00e3o alunos de escola p\u00fablica. Cada um tem um contexto diferente de vida, e se n\u00f3s professores n\u00e3o abra\u00e7armos cada um deles, a gente perde para o mundo. A gente sabe que a base s\u00e3o os estudos, \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o\u201d, compartilhou a professora.<\/p>\n<p><strong>Da p\u00e1gina para a tela<\/strong> \u2013 A hist\u00f3ria come\u00e7ou com Cristina e os livros. O professor William Bezerra entrou trazendo outra linguagem. Com experi\u00eancia de nove anos trabalhando com cinema e educa\u00e7\u00e3o, ele levou para a escola equipamentos e conhecimentos t\u00e9cnicos que j\u00e1 utilizava em outro projeto.<\/p>\n<p>C\u00e2mera DSLR. Microfone. Edi\u00e7\u00e3o. Montagem. Mas o mais importante n\u00e3o estava no equipamento. Era a participa\u00e7\u00e3o dos alunos. Eles ajudaram a decidir quais cenas funcionariam melhor e acompanharam o processo de constru\u00e7\u00e3o do filme. Para William, colocar uma c\u00e2mera dentro da escola significa tamb\u00e9m abrir uma janela.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>A mudan\u00e7a, segundo ele, n\u00e3o acontece apenas porque os estudantes aprendem a fazer cinema. O audiovisual permite aproximar diferentes \u00e1reas do conhecimento e transformar conte\u00fados em experi\u00eancias.<\/p>\n<p>O filme Irm\u00e3o Negro aborda racismo, preconceito, respeito e diversidade. E, ao fazer esse recorte social, os alunos n\u00e3o apenas interpretaram uma hist\u00f3ria. Eles passaram a discutir aquilo que a hist\u00f3ria queria dizer. Quando se viram na tela, descobriram tamb\u00e9m outra coisa: a imagem deles podia carregar uma mensagem.<\/p>\n<p>\u201cA partir do momento que a gente vai fazer algo projetado para o audiovisual, tudo muda. Conseguimos abranger dan\u00e7a, falar sobre ci\u00eancia de uma forma l\u00fadica, sobre a l\u00edngua portuguesa como a leitura de uma forma mais l\u00fadica por meio do audiovisual. E, mais importante, ensinar nossas crian\u00e7as a n\u00e3o ter preconceito, a partir desse recorte que fizemos\u201d, acrescentou William.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p><strong>Quando o professor tamb\u00e9m aprende <\/strong>\u2013 Professor de Artes e ligado ao teatro, Francisco Pedro Neto j\u00e1 conhecia o palco. Cinema, por\u00e9m, era outra linguagem. Foi preciso aprender. Enquadramento. Interpreta\u00e7\u00e3o para a c\u00e2mera. Diferen\u00e7as entre representar para o teatro e representar para o audiovisual. Enquanto ensinava os alunos, Francisco tamb\u00e9m pesquisava e aprendia.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-8 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>\u201cO processo \u00e0s vezes nas artes \u00e9 muito mais importante do que o resultado final, do que uma apresenta\u00e7\u00e3o, do que uma premia\u00e7\u00e3o. Porque ali \u00e9 onde eles aprendem o trabalho em equipe, o respeito, a responsabilidade. Chegar na hora, n\u00e3o faltar na hora dos ensaios. Decorar suas falas, a leitura, ent\u00e3o todo esse processo que vem antes ele \u00e9 muito mais importante do que o evento em si\u201d, falou.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinco da manh\u00e3. 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