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Confira outros tópicos da entrevista coletiva de Pedro Emanuel após Vasco 1 x 0 Independiente Medellín

Confira outros tópicos da entrevista coletiva de Pedro Emanuel após Vasco 1 x 0 Independiente Medellín

O Vasco está garantido nas oitavas de final da Sul-Americana. Após empatar por 2 a 2 na ida dos play-offs, o clube carioca venceu o Independiente Medellín por 1 a 0, nesta quarta-feira, e avançou no torneio continental; o adversário da próxima fase será o Olimpia, do Paraguai. Após conquistar sua primeira vitória à frente do Vasco, o treinador Pedro Emanuel classificou o jogo como “muito competente” antes de mais uma decisão eliminatória – no fim de semana, contra o Fluminense, pela ida das oitavas da Copa do Brasil.

— Importante para nós esta vitória, mas mais do que isso foi a competência que tivemos. Era mata-mata, em casa. Fizemos acima de tudo um jogo muito competente. No início de jogo é normal, quando não ganhamos há algum tempo, que haja alguma insegurança e momentos de dúvida, principalmente quando se erra. Mas a equipe foi muito forte nesse sentido: soube recuperar, mostrou reação. O jogo tem 90 e muitos minutos. Tem muito tempo, e temos que saber gerir, principalmente a nível mental. Fomos crescendo com o jogo, os números mostram isso, fomos superiores a uma equipe que veio da Libertadores. Não era uma equipe qualquer, era uma equipe de qualidade, com um treinador novo, mas com qualidade individual — disse o técnico, acrescentando:

— Conseguimos fazer duas coisas importantes para nós. Nos últimos nove jogos, só em um não tínhamos sofrido gols, e sabíamos que tínhamos que ser muito competentes para poder passar sem sofrer gols, e foi o que aconteceu hoje. Depois, voltarmos às vitórias e passarmos. Sabemos que temos que melhorar, mas hoje continua a nossa caminhada. No último jogo em casa, contra o Mirassol, estivemos muito próximos de vencer, também crescendo no jogo. Nos falta alguma serenidade para tomar decisões nos últimos 20 metros, principalmente dentro da área. Há muita ansiedade, queremos finalizar rápido no gol, mas isso faz parte do nosso momento. Mais do que tudo, estou satisfeito porque cumprimos um objetivo de seguir em frente.

Apesar da classificação garantida, o técnico Pedro Emanuel ainda vê margens para melhoria na equipe do Vasco. Questionado sobre o estilo de jogo que deseja implementar no clube, o treinador aproveitou para elogiar a postura do elenco vascaíno.

— Eu quero tornar essa posse de bola mais objetiva, e a transição ofensiva faz parte do jogo. Temos muitos jogadores com capacidade de levar a bola para a frente com espaço. Nestes dois últimos jogos não tem sido tão possível, mas faz parte de um momento de jogo que nós também queremos aproveitar. Tal como a transição defensiva, se repararmos hoje mais uma vez, fomos fantásticos na recuperação, porque os jogadores estão comprometidos. Por isso é que eu disse que esta é uma vitória muito grande deles, muito menos minha, mas deles. Mudaram a sua atitude mental, a forma como veem aquilo que é preciso ser feito e fazem. Por isso mesmo, acho que o mérito é todo deles, do grupo, que merece esta vitória e que merece este carinho (leia a resposta na íntegra ao fim da matéria).

O Vasco volta a campo às 17h30 (horário de Brasília) do próximo sábado, dia 1º de agosto, para iniciar a disputa das oitavas de final da Copa do Brasil contra o rival Fluminense. A volta será no dia 5, às 21h30. Ambos os jogos serão no Maracanã.

Outros tópicos da entrevista de Pedro Emanuel:

— Pus em campo os que estavam preparados para dar uma boa resposta no início do jogo, como eu tenho feito. Sei que quem está ao meu lado está preparado e pronto para entrar. Por isso, temos a perfeita consciência de que nesse curto espaço de tempo teremos muitos jogos, e todos têm que estar preparados, como estão. Sigo satisfeito por isso, eles estão vivos, dinâmicos. É lógico que todos querem jogar, mas isso faz parte das minhas escolhas, e com isso eles vão ter que viver naturalmente.

— Ele (Robert) sentiu ali algum cansaço. Tem feito muitos jogos consecutivos, depois de seis semanas que nós tivemos de pausa. É normal que isso aconteça. Essa gestão já estava prevista. Foi um pouco mais cedo do que o previsto. Eles têm dado consistência, Cuesta e Robert, por isso nós mantivemos, porque o corredor central é importante para nós.

— O Saldivia vem de lesão. É normal. Precisa do meu apoio, tal como o (Lucas) Freitas se entrasse. Precisava do meu e do nosso apoio. Eu fui jogador, já estive daquele lado e sei quão importante é quando nós entramos e sentimos que temos pessoas a nos apoiar. Eu também quero e gostaria que isso acontecesse com todos os jogadores da nossa equipe. Isso é importante para recuperarmos essa confiança, essa serenidade na tomada de decisão.

— Sei que a nossa torcida é exigente, eu admito isso e gosto. Agora, também sei que é importante apoiarmos todos os nossos jogadores. Aqueles que estão melhores e principalmente aqueles que estão piores. Eu já passei por isso. É difícil quando estamos com a autoestima em baixa, nos sentimos fragilizados. Errar, todos vamos errar. Futebol é um jogo de erros. Um passe, um gol, uma falha que vai permitir alguma coisa ao adversário. Temos que viver com isso.

— Se tivermos apoio, se tivermos a paciência da torcida… Nós estamos num momento em que precisamos muito da nossa torcida. Ela nos apoiou hoje em mais um dia difícil, com ventania, tempestade, e marcou presença. Nos brindou novamente com essa força extra que nós precisamos. Pedimos também um pouquinho dessa paciência com todos. Se calhar, no futuro vou pedir para ter um pouquinho de paciência também comigo, pelas más decisões que eu possa ter. Isso faz parte.

— Estou aqui essencialmente para proteger os meus jogadores. Seja o Saldivia, o Freitas, o Tchê Tchê, seja quem for. Se estão lá dentro, é porque eu confio neles. Acredito muito neles e no trabalho que podem fazer. Acho que esse é o caminho.

  • O que falta para a equipe encaixar 100%?

— Falta darmos continuidade. Comecei essa coletiva dizendo que cumprimos o nosso objetivo, que era passar na eliminatória contra um adversário que veio da Libertadores. Por isso mesmo, temos a noção de que o objetivo foi cumprido, mas não muito mais que isso, porque sabemos que para chegar ao que eu pretendo, ainda falta um bocado. Para isso, precisamos de tempo, e não temos. Vamos ter seis jogos em 18 dias.

— Pretendo que, neste momento, todos os jogadores dominem as necessidades que a equipe tem dentro de suas funções, individualmente, para depois ajudarem coletivamente. Essa é a minha preocupação neste momento, gerindo. Muitos jogadores ainda estão ganhando ritmo de jogo. Não quer dizer que estejam mal fisicamente, a própria evolução da forma de nós jogarmos exige desgaste. Hoje, foram novamente guerreiros. Não tiveram tempo para recuperar completamente (desde o último jogo), vamos tentar fazê-lo para o próximo, que também é uma eliminatória.

  • Primeira vitória no Vasco e atuação de PH:

— Eu não queria muito individualizar, porque acho que, no geral, nós fizemos uma partida não extraordinária, não excelente. Fizemos uma partida competente. Isso quer dizer que fizemos o suficiente durante todo o jogo, quer ofensivamente, quer defensivamente, para seguirmos em frente.

— É tão simples quanto isso. Não individualizo ninguém, porque eu acho que este jogo é coletivo e deve ser falado dessa forma. Naturalmente que o PH entrou num momento importante para a equipe, que precisava de energia, e ele respondeu em campo com aquela boa oportunidade que deu. É isso que eu espero de todos, e vários já o fizeram também no último jogo e no jogo anterior, mas estamos mais preparados para darmos resposta. E é isso que eu pretendo do PH e de todos dentro da equipe.

— Acho que isso fez com que a equipe hoje fosse competente, não deslumbrante, não entusiasmante. No fim, acho que a vitória é justa pelo que fizemos, pelo que criamos e pelo que não concedemos.

— Você fez aí uma pergunta que, se calhar, eu demoraria 20 minutos para responder com tudo que eu gostaria. Mas vamos ser objetivos. Neste momento, aquilo que nós pretendemos da forma de jogar tem muito a ver com as características dos nossos jogadores. Logicamente, não são em dez dias, 12, 15 dias que nós conseguimos fazer com jogos pelo meio. Portanto, as ideias vão sendo passadas, mas, se reparar, hoje voltamos a ter mais posse de bola. Precisamos ser um bocadinho mais objetivos quando alcançamos ali momentos no meio, entrelinhas, quando estamos flutuando. Hoje, já fizemos melhor em muitos momentos.

— Estamos indo nesse sentido, mas isto também tem a ver com aquilo que aconteceu no último jogo, contra o Mirassol. O adversário baixou as linhas, joga num bloco muito baixo e muito junto, e nós precisamos ter capacidade de desmembrar isso e desmontar essas organizações defensivas. Por isso, muitas das vezes essa posse de bola se torna muito pouco objetiva.

— Eu quero tornar essa posse de bola mais objetiva, e a transição ofensiva faz parte do jogo. Temos muitos jogadores com capacidade de levar a bola para a frente com espaço. Nestes dois últimos jogos não tem sido tão possível, mas faz parte de um momento de jogo que nós também queremos aproveitar. Tal como a transição defensiva, se repararmos hoje mais uma vez, fomos fantásticos na recuperação, porque os jogadores estão comprometidos.

— Por isso é que eu disse que esta é uma vitória muito grande deles, muito menos minha, mas deles. Mudaram a sua atitude mental, a forma como veem aquilo que é preciso ser feito e fazem. Por isso mesmo, acho que o mérito é todo deles, do grupo, que merece esta vitória e que merece este carinho.

  • Confiança do time do Vasco:

— Boa pergunta, porque o tempo continua a ser pouco. Mas as vitórias dão sempre confiança, dão sempre moral. Especialmente para este grupo, que estava precisando disso. Quando eu falo “este grupo”, falo de todo mundo, não só dos jogadores. Os atletas especialmente, porque dão a cara por nós, mas toda a nossa estrutura precisava desta vitória para acreditar no que é o nosso trabalho, no que estamos fazendo.

— Volto a dizer: fui muito bem recebido. A forma como estou trabalhando me permite dizer que nós podemos melhorar a cada dia. Mesmo com pouco tempo, tenho sentido essa confiança. De fato, ligando isso ao que é a nossa torcida, ao que é a dimensão do Vasco, nós temos que ganhar mais vezes. Esse é o nosso objetivo, e é para isso que trabalhamos todos os dias. Hoje é para celebrar. Amanhã, começar a preparar o jogo contra o Fluminense pela Copa do Brasil.

— Naturalmente, ainda precisa ganhar ritmo. Acho que o Thiago, como muitos outros, ainda pode fazer muito mais pela nossa equipe. Mas hoje ele foi um diferencial, porque foi quem fez o gol. Os líderes aparecem nesses momentos, e ele falou bem em campo. Mesmo eu dizendo que não gosto de individualizar, o Thiago deu à equipe aquilo que nós precisávamos, assim como todos os outros. Foi uma vitória difícil, mas bem conquistada. Achamos que podemos fazer melhor, e é para isso que já vamos preparar o próximo jogo.

  • Jair e meio-campo do Vasco:

— Sobre o Jair, ele está completamente liberado de tudo. Pode jogar tudo e tem feito isso. Tem trabalhado muito bem nos treinos. Sobre o meio-campo, vou te fazer uma pergunta. Você está aqui há mais tempo do que eu. Quantas vezes esse meio jogou junto, com Thiago, Tchê Tchê e Ramon? Poucas vezes, certo? Eles se conhecem dos treinos, mas a ligação deles em jogo ainda não é tão fluida. Isso faz parte, é o risco que eu assumi.

— Sabia de antemão que o Thiago, começando a saída de jogo, ia ter que recuar mais. Tanto que, no segundo tempo, fomos mexendo na equipe para dar frescor e coisas diferentes ao jogo, para permitir chegar mais à frente com mais qualidade. A lógica é essa. Eu sabia que corríamos esse risco, mas precisávamos de qualidade.

— Tchê Tchê tem qualidade com bola, Thiago tem qualidade com bola, Ramon tem muita qualidade com bola. Jogamos com três homens no meio que nos permitiam ter bola. Agora, precisávamos de mais fluidez. Acho que o problema da primeira parte foi a lentidão na circulação. Essa lentidão permitia ao adversário se reposicionar, balançar e defender a área com mais eficácia. Na segunda etapa, abrindo espaços, conseguimos chegar mais vezes e com mais perigo à área do adversário, com esse mesmo meio campo e com as alterações que fizemos. A ideia foi essa: eles irem crescendo para que a equipe não baixasse, e sim crescesse. Termino com aquilo que comecei: quantas vezes eles jogaram juntos? Poucas. Por isso precisam de tempo para que isso seja fluido.

  • Evolução do Vasco desde chegada de Pedro Emanuel:

— Vocês não me conhecem enquanto jogador e nem enquanto treinador. Se forem ao Porto e perguntarem, vão saber quem é o Pedro Emanuel. Aquilo que eu falei relativamente ao Vasco e à ligação que nós temos tem muito a ver com o que eu senti no grupo de trabalho desde o primeiro dia que cheguei: uma vontade grande, uma mudança de atitude, um acreditar. Isso é o Pedro Emanuel, começa por aí, e isso eu senti na nossa equipe.

— Agora, todo o resto precisa de tempo para ser introduzido. O que eu vi no último jogo contra o Mirassol e o que eu vi hoje foi, de fato, vontade, determinação, competência e compromisso com a equipe. Isso é algo inegociável para mim enquanto treinador, e os jogadores têm demonstrado isso. Depois, é essa ligação que nós temos que voltar a ter com a nossa torcida. Que ela nos ajude em todos os momentos do jogo, nos positivos e nos negativos. Eu sei que eles conseguem fazer isso, esse é o meu pedido para eles.

— A exigência está aqui, a dimensão do Vasco todo mundo conhece. Agora, aquilo que nós podemos fazer juntos é algo que eu quero melhorar a cada dia. Acho que essas são as melhoras que eu vejo desde o jogo do Mirassol. Três dias depois, temos a nossa torcida aqui presente novamente. E, felizmente, (pudemos) presenteá-los com mais um jogo competente. Um jogo que não foi extraordinário, mas que foi o que nos permitiu passar para a próxima eliminatória. Por isso, neste momento, sinto que estamos no caminho que eu pretendo, mas também temos muito ainda que fazer e o tempo é curto. Vamos tentando, a cada jogo que passa, a cada três dias, manter essa solidez. E, principalmente, tentar não sofrer gols e ganhar.

— Ele não é um camisa 10, né? Na nossa forma de jogar, ele é um jogador que tem muito daquilo que eu gosto no meio. Tem muito para crescer. Acredito muito no valor dele, tanto a nível técnico quanto a nível tático, mas ele já mostra muito para a idade que tem. Agora, é lógico que eu tenho que apoiá-lo. Eu sei que ele não é um 10. Ele não é um jogador que sente facilidade de jogar de costas para o jogo. É um jogador que joga mais de frente.

— Ele é um 8, um 8 muito versátil, mas a equipe neste momento precisa também de consistência. E ele nos dá isso, tanto a nível tático quanto a nível físico. Hoje um pouco menos do que é normal, mas é mais um que está evoluindo na condição física para jogar desta maneira. Estou muito satisfeito porque ele tem respondido. Ele quer e está aproveitando a oportunidade.

— Portanto, acho que é uma excelente notícia para nós. E que tenhamos mais jogadores como ele na nossa base, para podermos fazer crescer e apoiá-los nesse sentido. Agora é passo a passo. Dando a ele o apoio e a exigência que é necessária para ele crescer com segurança e ser uma certeza, como está começando a ser no nosso futebol.

Fonte: ge