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Como é a vida numa república para jovens em vulnerabilidade social? – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

A República Feminina Elza Soares, no Rio Comprido, foi inaugurada em março de 2026. Foto: Renan Areias

Coordenadora das Repúblicas de Jovens da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro (SMAS), Alinne Mozeika descreveu histórias emocionantes de pessoas atendidas por essa modalidade de acolhimento. São casos inspiradores de vidas que tinham pouca perspectiva, mas encontraram a porta de saída da vulnerabilidade social.

– Nas repúblicas, a gente faz uma linha do tempo com os jovens e pergunta onde ele estava antes e onde ele quer chegar. É aí que a gente entra, para ajudá-los. O primeiro passo é acreditar neles – explicou, em entrevista à Rádio Catedral, transmitida também no canal de YouTube da emissora oficial da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Na conversa ao vivo, na quarta-feira (23/9), com os ouvintes e o apresentador do programa Vox Populi Social – o advogado Felipe Fernandes, presidente da Comissão de Adoção da OAB-RJ –, Alinne narrou trajetórias como a do rapaz que desde bem novinho é acolhido na rede de assistência da Prefeitura do Rio. Aos 18, ingressou na República para Jovens Júnior Heleno Barros de Antão, da SMAS. Hoje, é militar da Aeronáutica e mora numa casa que comprou com o dinheiro que economizou.

– Ele é o primeiro da família a sair da vulnerabilidade, e conta que nem usa mais o seu CadÚnico (programa federal de auxílio a pessoas de baixa renda) – revelou a coordenadora.

Um poliglota e um ex-refugiado

Outro caso apresentado no programa foi o do aluno poliglota de economia de uma universidade federal, atualmente acolhido na república para jovens. O rapaz fala mandarim, inglês e espanhol, além do português. Está trabalhando como analista fiscal bilíngue e sendo preparado pela equipe da SMAS para sair e viver em sua própria casa, com toda autonomia.

A coordenadora relatou ainda a jornada impactante do refugiado africano que deixou seu país de origem para fugir da violência. Também acolhido na república da SMAS, ele é mais um que está sendo preparado para a reinserção comunitária. Trabalha numa unidade da Prefeitura do Rio, concluiu um curso de instalador de placas solares e faz entregas por aplicativo. Com o dinheiro que guardou, ajudou a pagar o passaporte do irmão, para trazê-lo ao Brasil.

– Esse jovem vai sair para a casa dele e trazer o irmão, a única família que ele tem no mundo. É gratificante, porque a gente vai cumprir esse papel de mais um – afirmou Alinne sobre outro episódio de sucesso no trabalho de reinserção social.

Transição para a vida adulta

A pedagoga explicou como funcionam as repúblicas. Além da masculina, em Botafogo, há a unidade Elza Soares, feminina, no Rio Comprido. Para morar nelas, os jovens precisam ter 18 anos e só podem ficar até os 21. A maioria vem do acolhimento institucional para crianças e adolescentes e do programa Família Acolhedora, de lares provisórios. São rapazes e moças vítimas de abandono, violência ou negligência que foram afastados da convivência da família de origem, por determinação judicial, e chegaram à maioridade sem ser adotados.

No entanto, nem todos que saem da experiência em instituição têm o perfil ou estão prontos para a autonomia da vida nas repúblicas. Os que não se reinserem em suas famílias são encaminhados aos albergues e às Unidades de Reinserção Social (URS) para adultos, onde seguirão atendidos em suas necessidades e serão incentivados a buscar emprego e independência (mais tarde até poderão ir para a república, se tiverem o perfil e estiverem na faixa etária). Aqueles que as equipes da SMAS identificam como tendo maior capacidade de autogestão são direcionados às repúblicas.

A chave de casa

Lá, os jovens são estimulados a gerir a própria vida. Eles recebem a chave de casa, o que acaba sendo um símbolo de autonomia e responsabilidade. Precisam cozinhar, arrumar os ambientes, administrar os alimentos conjuntamente, tomar decisões em equipe, lidar com conflitos. Trabalham, estudam e aprendem sobre planejamento financeiro. A SMAS garante a moradia e a comida, além de roupa de cama e material de limpeza e de higiene, mas cada um ganha seu dinheiro e gerencia suas contas (embora não seja uma exigência ter renda). Tudo com supervisão de uma psicóloga e uma assistente social, que acompanham o dia a dia da casa, inclusive via grupo de WhatsApp, mas sem interferências que prejudiquem a autonomia.

– A gestão é participativa, e esse jovem precisa estar ciente disso. Ele vai receber a carne, vai precisar saber separar a carne, saber fazer o feijão, o arroz, lavar uma louça, saber o horário que precisa acordar para ir para o trabalho. Não é só entregar a chave de casa. Ele tem que saber como construir a saída dele com autogestão e autossustentação – disse Alinne.

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  • 25 de setembro de 2026
  • Marcações: Acolhimento Arquidiocese do Rio de Janeiro jovens Repúblicas de Jovens Unidades de Reinserção Social (URS)